Primeiro trimestre: período simbiótico
Como começa a crise do primeiro
trimestre?
A chegada aos 3 meses é um momento tão
marcante que alguns autores falam de dois nascimentos: o biológico, que é o dia
do parto, e o psicológico, que acontece quando o bebê completa 3 meses. Esse
primeiro trimestre de vida é o que se chama de período simbiótico. “Para a
criança, mãe e filho significam uma única palavra ‘mãefilho’. É assim que ela
entende: como se fossem uma única pessoa”, diz, brincando, Leonardo Posternak,
pediatra de São Paulo. A partir dos 3 meses, o bebê passa a olhar no olho da
mãe, começa a se divertir, imita alguns gestos. Ele começa a sentir que a mãe
não é só um bico de peito e, assim, começa a construir a imagem do outro.“É
nesse período que a criança percebe que não está enroscado no tronco da árvore
– que é a mãe. Ele está perto da árvore. Entende que precisa chamá-la para ter
o que necessita – leite, colo ou fraldas limpas. Nessa hora, bate a ansiedade.
É como se ela pensasse: ‘E agora? E se eu chamar e ninguém escutar? E se esse
outro vai embora, o que eu faço?’ É aí que começa a crise”, explica Posternak.
Como saber se o filho está passando
por uma crise?
A melhor maneira é ouvir o pediatra.
“Algumas mães chegam ao consultório reclamando que há três dias o filho estava
ótimo e, de repente, não quer mais mamar e tenta se afastar quando elas dão o
peito. Outras reclamam que o bebê estava dormindo bem, mas, depois dos 3 meses,
isso mudou. Ele acorda várias vezes chorando”, diz Leonardo Posternak, pediatra
de São Paulo. “Há ainda as mães que reclamam que o bebê fica agitado sem motivo.
Não quer ficar no colo, no berço, no bebê-conforto. Parece não estar
confortável com nada que é oferecido”, continua. As queixas normalmente são
parecidas e o seu pediatra saberá dizer se o bebê está com algum problema de
saúde ou atravessando uma crise.
Quanto tempo dura a “crise do fim do
período simbiótico”?
Essa crise dura em torno de 15 dias.
Nesse período, os bebês precisam ser
medicados?
Não. Quando a criança atravessa uma
crise, é muito importante que ela não seja medicada. “As mães sempre chegam ao
consultório achando que a razão do desconforto tem algum aspecto orgânico:
cólica, falta de leite, dente nascendo. Então explico que se trata de uma
crise, um momento excelente para o crescimento”, ensina Leonardo Posternak,
pediatra de São Paulo.
O que os pais devem fazer durante a
crise?
Eles devem ficar calmos e entender que
esse período vai passar. “Conhecendo os sintomas, os pais precisam dominar a
ansiedade para que a criança não tenha que atravessar esse momento complicado
num ambiente angustiante. Lembre-se de que o seu bebê precisa passar por essa
crise para poder crescer”, explica o pediatra Leonardo Posternak, de São Paulo.
Entre 5 e 6 meses: formação do
triângulo familiar
Como começa a crise da formação do
triângulo familiar?
Por mais que o pai tenha sido presente
e ativo desde o nascimento do bebê, ele não teve uma relação tão simbiótica com
o filho. Isso se dá por inúmeros motivos. Até mesmo porque ele não dispõe dos
meses de licença-maternidade para ajudar nessa proximidade. Então, por volta do
sexto mês de vida, o bebê, que já conhece a mãe, começa a reconhecer a figura
do pai, dando início à formação do triângulo – e da crise.
Que sintomas a criança apresenta nessa
crise?
“A criança tem um pouquinho de
transtorno do sono, e o apetite diminui um pouco”, diz o pediatra Leonardo
Posternak, de São Paulo. Mas essa crise costuma afetar mais as mães do que os
bebês. “Nessa fase, a mãe se dá conta de que, para o filho ser saudável e
feliz, ele precisa ter uma relação triangular e não uma relação de cordão
umbilical com ela. Afinal, ninguém quer que o filho seja dependente a vida
toda. É necessário que alguém corte essa simbiose. E esse é o papel do pai”,
explica Posternak.
Com 6 meses, nascem os primeiros
dentinhos. Essa etapa se confunde com a crise?
“Sim. Às vezes, isso acontece. As duas
fases se confundem porque a dentição incomoda, dói e torna a criança
aparentemente mais agressiva”, explica o pediatra Leonardo Posternak, de São
Paulo.
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